O Trabalho nas Américas: Glossário

O Glossário que disponibilizamos abaixo reúne categorias relativas ao universo das relações de trabalho nas Américas entre os séculos XVI e XIX, incluindo modalidades laborais, condições jurídicas, espaços de trabalho, ocupações, categorias de trabalhadores e formas de recrutamento. Trata-se de um instrumento em permanente atualização, voltado a pesquisadores, docentes e estudantes dos ensinos superior e básico. O projeto conta com apoio do Programa Unificado de Bolsas da USP (PUB-USP), modalidade Pesquisa.

Bolsista responsável: Lettycia Santos Souto de Almeida. 

Terras trabalhadas para o consumo direto das famílias produtoras guaranis nas missões jesuíticas.
Período: XVI–XVIII.
Região: Bacia do Rio da Prata.
Cativos incorporados como dependentes e trabalhadores nas redes de parentesco Wayúu. No wayú, termo associado a 'tepichi' (criança pequena).
Período: XVIII.
Região: Península Guajira.
Expedições armadas deslocadas a diferentes territórios indígenas para capturas de cativos.
Sinônimos: razzia, maloca, malón, entrada, correría, armada, bandeira, rancheo, cabalgada.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Absorção de indivíduos dessocializados necessitados de proteção por estâncias ou chácaras, onde se tornavam dependentes.
Período: XVI–XVIII.
Região: Bacia do Rio da Prata.
Carregadores que atuavam dentro das minas.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Período: XVIII–XXI.
Região: Américas.
Expedições armadas deslocadas a diferentes territórios indígenas para capturas de cativos.
Sinônimos: razzia, maloca, malón, entrada, correría, amarração, bandeira, rancheo, cabalgada.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Trabalho indígena contratado, temporário e remunerado. Concierto. A palavra designa, simultaneamente: um acordo laboral entre partes, um tipo documental, uma categoria legal e uma categoria analítica.
Período: XVII–XIX.
Região: Américas.
Termo pejorativo empregado por falantes do idioma algonkian com duplo sentido de "cativo" e "animal doméstico".
Período: XVII.
Região: Leste da América do Norte.
Trabalho comunitário fundado em relações de reciprocidade, no contexto aymara.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Proprietário de minas ou de engenhos de mercúrio.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Terrenos “vagos”, não trabalhados ou trabalhados em regime comunal. Ejido. Pessoa preguiçosa, que não trabalha.
Período: XVI–XIX.
Região: América hispânica.
Expedições armadas deslocadas a diferentes territórios indígenas com o objetivo de realizar capturas de cativos para o comércio e a escravização.
Sinônimos: razzia, maloca, malón, entrada, correría, amarração, armada, rancheo, cabalgada.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Lavrador de mina.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Mergulhador, pescador de pérolas.
Período: XVI–XVIII.
Região: Circuncaribe.
Período: XV–XVIII.
Região: Circuncaribe.
Autoridade indígena responsável pela distribuição dos serviços entre os mitayos.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Autoridades indígenas ou não ocupadas com a vigilância dos trabalhadores de minas.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Carregadores que atuavam entre minas e os engenhos de prata.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Estrato social popular mestiço, mestiçagem.
Período: XVI–XXI.
Região: Andes.
Trabalho indígena contratado, temporário e remunerado. Asiento. A palavra designa, simultaneamente: um acordo laboral entre partes, um tipo documental, uma categoria legal e uma categoria analítica.
Período: XVII–XIX.
Região: Américas.
Expedições armadas deslocadas a diferentes territórios indígenas com o objetivo de realizar capturas de cativos para o comércio e a escravização. Sinônimos: Razzia, maloca, malón, entrada, armada, amarração, bandeira, rancheo, cabalgada.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Trabalhador doméstico e/ou sujeito a um laço de dependência pessoal junto a um(a) senhor(a), em teoria nascido e criado junto a uma família senhorial.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas portuguesa e espanhola.
Equipe de indígenas reunida para a realização de uma determinada tarefa (ex.: exploração das jazidas de ouro de Cibao).
Período: XVI.
Região: Nova Espanha e Circuncaribe.
Sistema de trabalho comunitário entre os nahuas.
Período: XV–XVII.
Região: Mesoamérica.
Sistema de trabalho comunitário entre os maias.
Período: XV–XVII.
Região: Mesoamérica.
Sujeito intermediário no comércio de cativos (mameluco/mestiço), associado a um chefe étnico por laços de parentesco.
Período: XVII–XVIII.
Região: Bacia Amazônica.
Tributação em espécie.
Período: XV–XVII.
Região: Oaxaca.
“Servos”, literalmente 'mãos pés'.
Período: XVI–XVII.
Região: Oaxaca.
Tempo limitado durante o qual encomendados ou depositados poderiam prestar serviços aos encomenderos ou depositários.
Período: XVI.
Região: Circuncaribe e Novo Reino de Granada.
Custódia protetiva temporária de sujeitos indígenas enquanto corria um processo judicial; termo com sentidos variados, associado a encomienda, repartimiento e resgate em alguns contextos.
Período: XVI–XVIII.
Região: América.
Trabalhadores dependentes mixtecas (ñudzahui). Status nem rígido, nem permanente; trabalhadores como um tipo de comuneros.
Período: XV–XVII.
Região: Oaxaca.
Terrenos “vagos”, não trabalhados ou trabalhados em regime comunal. Baldío.
Período: XVI–XIX.
Região: América Hispânica.
Termo pejorativo nos idiomas Mohawk e Onondaga com duplo sentido de “cativo” e “animal doméstico”.
Período: XVII.
Região: Leste da América do Norte.
Período: XVI–XIX.
Região: América Hispânica.
Suplementação de um coletivo desfalcado de trabalhadores mitayos por mingas para trabalho mineiro.
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
Expedições armadas para capturas de cativos. Sinônimos: razzia, maloca, malón, armada, correría, amarração, bandeira.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Dependendo do contexto, sujeito livre, liberto ou alforriado.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas portuguesa e espanhola.
Trabalhador de hacienda na Nova Espanha; normalmente preso à propriedade por toda a vida.
Período: XVII–XXI.
Região: Nova Espanha.
Indivíduos indígenas subtraídos de suas sociedades e incorporados colonialmente como cativos/serventes.
Período: XVII–XIX.
Região: Novo México.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Propriedades rurais particulares; ganham força a partir de 1680 na Nova Espanha.
Período: XVII–XIX.
Região: América Hispânica.
Período: XVI–XVIII.
Região: Yucatán.
Contratação de mingas pelos azogueros para suplementar o corpo mitayo.
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
Costume dos azogueros embolsarem quantias recebidas dos capitães de mita para suplementar trabalho mitayo com mingas.
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
Indígena encomendado que vive e trabalha na propriedade de seu encomendero.
Período: XVI–XVIII.
Região: Bacia do Rio da Prata.
Naboría ou “laborío”.
Período: XVI–XVII.
Região: Nova Espanha.
Trabalho em geral (aymará), literalmente “manejar uma coisa redonda com a palma de uma mão”.
Período: XVI–XVIII.
Região: Charcas.
Trabalhadores mineiros autônomos (indígenas, mestiços, mulatos, espanhóis).
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
Trabalho minerador autônomo desempenhado por diversos grupos.
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
Categoria mapuche de indivíduo submetido a trabalho estranhado; “gente de nada”.
Período: XV–XVI.
Região: Araucânia.
Corruptela de “naboría”. Criado ou “voluntário”.
Período: XV–XVIII.
Região: Mesoamérica.
Período: XVI–XVIII.
Região: Américas.
Prestação de trabalho semanal (tequio), convencionalmente às segundas-feiras.
Período: XVI–XVIII.
Região: Yucatã.
Dependendo do contexto, sujeito mestiço, astuto, cristianizado, falante do português ou do espanhol.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas portuguesa e espanhola.
Gente comum (trabalhador “comunero”), sem categoria à parte. Mayeque.
Período: XV–XVIII.
Região: Mesoamérica.
Inimigo capturado no sistema guerreiro arawak; transitou para conotações de escravo/cativo.
Período: XVIII.
Região: Guianas.
Expedições armadas para capturas de cativos (sinônimos: razzia, malón, etc.).
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Expedições armadas para capturas de cativos (sinônimos: razzia, maloca, etc.).
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Concessão forçada de tempo de trabalho ameríndio pelo Estado colonial.
Período: XVI–XVIII.
Região: América espanhola.
Autoridade indígena que recolhe tributos das comunidades no período colonial.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes.
Gente comum, trabalhador “comunero”. Sinônimos: Macehualtin, Tlalmaite.
Período: XV–XVIII.
Região: Mesoamérica.
Trabalhador livre contratado como administrador de unidade produtiva rural.
Período: XVI–XIX.
Região: América Hispânica.
Pequenos proprietários e trabalhadores mineiros livres.
Período: XVIII–XIX.
Região: Nova Granada.
Indígenas subordinados de um cacique guarani nas missões.
Período: XVI–XVIII.
Região: Bacia do Rio da Prata.
Trabalhador rural; não era ligado às haciendas, mas também não plenamente livre. Sinônimo: Tlaquehuale.
Período: XVI–XVIII.
Região: Nova Espanha.
Sistema de trabalho comunitário quéchua; no período colonial também trabalho assalariado/voluntário suplementar.
Período: XV–XXI.
Região: Andes centrais.
Sistema de trabalho comunitário mapuche.
Período: XV–XXI.
Região: Chile.
Forma de mita voltada ao serviço comunitário andino, persistente no período colonial.
Período: XV–XVIII.
Região: Andes centrais.
Mita para serviço de instituições e pessoas nas cidades; mitayos reunidos em praça para distribuição de tarefas.
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
Contingente anual total de trabalho mitayo.
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
“Tercio”: semana de trabalho seguida por duas de descanso (Ordenanças de Toledo).
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
No mundo maia, o trabalho do trabalhador; literalmente, força(s).
Período: XVI–XVIII.
Região: Yucatã.
Gente “comum” taino; no século XVI usado para indígenas do Circuncaribe encomendados e empregados no serviço doméstico.
Período: XV–XVII.
Região: Circuncaribe.
Trabalhadores dependentes mixtecas (ñudzahui); termos intercambiantes para trabalhadores comuneros.
Período: XV–XVII.
Região: Oaxaca.
Escravizado de origem africana.
Período: XVI–XIX.
Região: América portuguesa.
Escravizado de origem ameríndia.
Período: XVI–XIX.
Região: América portuguesa.
Categoria mapuche de indivíduo comprado ou escravizado.
Período: XVIII.
Região: Araucânia.
Pessoa que é vendida.
Período: XVI–XVII.
Região: Oaxaca.
Trabalhador indígena ocupado com a condição dos grupos de trabalho (tandas) antes e depois do turno.
Período: XVI–XVIII.
Região: Nova Espanha.
Documento obrigatório comprovando ocupação em propriedade.
Período: XVIII–XIX.
Região: Bacia do Rio da Prata.
No mundo maia, tributo.
Período: XVI–XVIII.
Região: Yucatã.
Trabalho contratado por dia, com tendência à fixação por dívidas junto ao proprietário.
Período: XVI–XXI.
Região: Américas.
Porcentagem de mineral que um trabalhador poderia tomar para si durante um tequio.
Período: XVI–XVIII.
Região: Nova Espanha.
Cativos incorporados como dependentes e trabalhadores nas redes wayúu.
Período: XVIII.
Região: Península Guajira.
Serviçal.
Período: XVII–XVIII.
Região: Andes centrais.
Inimigo capturado no sistema guerreiro karib; passou a significar “súdito”.
Período: XVIII.
Região: Rio Branco e Guianas.
Povoação; em contextos, designava reduções.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Expedições armadas para capturas de cativos (sinônimos: armada, maloca, etc.).
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Unidades sociais/produtivas coloniais (reduções/pueblos) reunindo populações e funcionando como repositórios de trabalhadores e espaços missionais.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Categoria mapuche de indivíduo submetido a trabalho estranhado; “cativo”/“prisioneiro”.
Período: XV–XVI.
Região: Araucânia.
Entrega de parcela da população de uma comunidade a um proprietário; depósito.
Período: XVII–XVIII.
Região: Novo Reino de Granada.
Distribuição do trabalho coletivo das comunidades entre colonos; unidade tributária das primeiras décadas da conquista.
Período: XVI–XVII.
Região: Américas.
Recrutamento amplo a mando do vice-rei através de listas oficiais (fim do séc. XVI).
Período: XVI–XVII.
Região: Andes centrais.
Aquisição forçada de mercadorias por populações indígenas por ordem do corregedor.
Período: XVII–XVIII.
Região: Andes centrais.
Trabalhadores dos engenhos de prata.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Aquisição negociada de cativos junto a autoridades nativas, por vezes justificada como “salvação” de rituais canibais; título de legitimidade do cativeiro.
Período: XVI–XVIII.
Região: Américas portuguesa e espanhola.
Pleitos de autoridades indígenas para ajustar ou conquistar isenções tributárias por queda demográfica.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.
Prestação de trabalho tributário com cota semanal de trabalhadores.
Período: XVI–XVIII.
Região: Yucatã.
Posto incaico ao longo de caminhos (pousada, comércio, tributo) usado também no período colonial.
Período: XV–XIX.
Região: Andes centrais.
Trabalhador carregador/transportador indígena.
Período: XV–XIX.
Região: Mesoamérica.
Destacamento de trabalhadores para um turno laboral.
Período: XVI–XVIII.
Região: Nova Espanha.
Termo tupi para designar sujeitos de pele negra.
Período: XVI–XVIII.
Região: América portuguesa.
Período: XV–XVIII.
Região: América espanhola.
Trabalhador dependente que não trabalhava as terras do ñuu, vivia na terra de um senhor e realizava serviços; termo intercambiável com Ñandahi/Dzaya dzana.
Período: XV–XVII.
Região: Oaxaca.
Do náhuatl tequiotl: tributo comunitário de um dia de trabalho por semana (obras públicas).
Período: XVI–XVIII.
Região: Yucatã.
Trabalhador agrícola na Mesoamérica.
Período: XVI–XIX.
Região: Nova Espanha.
Período: XVIII–XIX.
Região: Nova Granada.
Trabalhador do campo subordinado; sinônimo histórico de mayeque.
Período: XVI–XVIII.
Região: Nova Espanha.
Trabalhador rural; similar a mesero.
Período: XVI–XVIII.
Região: Nova Espanha.
Sistema de trabalho comunitário mixteca (ñudzahui); responsabilidades adultas frente à comunidade.
Período: XV–XXI.
Região: Oaxaca.
Camponeses ocupantes de propriedades com consentimento, sem pagar arrendamento.
Período: XVII–XVIII.
Região: Bacia do Rio da Prata.
Período: XVI–XIX.
Região: Américas.
Parentes políticos guarani que serviam em tarefas agrícolas.
Período: XVI–XVIII.
Região: Bacia do Rio da Prata.
Terras trabalhadas para o usufruto geral das comunidades missioneiras guaranis.
Período: XVI–XVIII.
Região: Bacia do Rio da Prata.
Inspeção dos recursos humanos e naturais de uma jurisdição para subsidiar processos de tributação.
Período: XVI–XIX.
Região: América espanhola.
Inspeção dos recursos humanos e naturais de uma comunidade ou pueblo para subsidiar tributação.
Período: XVI–XIX.
Região: América espanhola.
Pessoas capturadas em guerra e incorporadas nas comunidades iroquesas. No iroquês (para o inglês), “a body cut into parts and scattered around”.
Período: XVII–XIX.
Região: Leste da América do Norte.
No mundo incaico, yanas eram indivíduos subtraídos de seus ayllu de origem e tornados servidores pessoais do Estado; no período colonial, conotações de “escravo” e depois “criado/servente”.
Período: XV–XIX.
Região: Andes.
Yanakona ocupado como servidor pessoal em obras públicas e unidades produtivas da Coroa.
Período: XVI–XVIII.
Região: Andes centrais.

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